Este blog foi impulsionado pela SPEM – Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, e pretende ser um espaço onde se
entornem discussões, novidades, perguntas, respostas, conversas, histórias e viagens – em redor da vida com Esclerose
Múltipla e Outras Coisas Também.









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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Acho que oiço cânticos ao fundo do corredor (ah!, não. sou eu)

Seringa a laser sem agulha é portuguesa e deve chegar ao mercado em 2013

«Uma seringa a laser, sem agulha, está a ser desenvolvida em Coimbra e deverá chegar ao mercado dentro de um ano, anunciou hoje Carlos Serpa, um dos investigadores envolvidos.
O Laserleap (seringa a laser) é um sistema em nada semelhante às tradicionais seringas com agulha, mas que, tal como estas, permite fazer chegar o medicamento ao destino pretendido, só que sem picada e recorrendo a laser.
O protótipo da “seringa” foi hoje apresentado na Universidade de Coimbra (UC), onde o projeto nasceu, em 2008, por um grupo de três investigadores do Departamento de Química, que inclui também Luís Arnaut e Gonçalo Sá.
Através do laser, é criada uma onda de pressão que, ao chegar à pele, gera uma “espécie de tremor de terra”, deixando-a "durante alguns segundos permeável”, o que facilita a aplicação do fármaco, administrado em creme ou gel, explicou Carlos Serpa.
O fármaco “surte efeito mais rapidamente, nomeadamente no caso dos analgésicos tópicos”, acrescentou.
Aplicações no tratamento do cancro da pele e de determinadas doenças dermatológicas, administração de vacinas ou aplicações em cosmética são algumas das utilizações da tecnologia Laserleap.
Testado em três dezenas de estudantes do Departamento de Química, o sistema “não provoca dor nem vermelhidão, de uma maneira geral - “apenas cinco por cento dos casos, mas passa rapidamente” – e é considerado “seguro para os humanos”.
Vencedor da primeira edição do prémio RedEmprendia (2010), no valor de 200 mil euros, o Laserleap, levou já à criação de uma empresa - LaserLeap Tecnologies, em setembro de 2011, e atualmente incubada no Instituto Pedro Nunes – e a um pedido de patente internacional, em abril de 2011.
Ainda recentemente, o projeto venceu o desafio internacional lançado no Photonics West 2012, um dos maiores encontros científicos do mundo na área da fotónica.
A RedEmprendia é uma associação criada com apoio do Grupo Santander e orientada para o empreendedorismo, que congrega 20 universidades ibero-americanas - em Portugal, as Universidades de Coimbra e do Porto.
Durante a apresentação do protótipo, o presidente da RedEmpreendia, Senen Barro, classificou o projeto português de “excecional”, referindo que, na “corrida” ao prémio, estiveram outros também “bastante bons”.
“A qualidade de vida de muitas pessoas pode mudar radicalmente” com a nova seringa, considerou.
O diretor da divisão do Santander Universidades para Portugal, Marcos Ribeiro, afirmou, por sua vez, que “o país precisa agora, mais do que nunca, que as universidades prossigam o motor de desenvolvimento” que representam para o “crescimento sustentável das sociedades”.
Depois de salientar a importância da RedEmpreende no desenvolvimento dos projetos de investigação, o reitor da UC, João Gabriel Silva, manifestou-se preocupado com a “diminuição global dos montantes disponíveis para os projetos de investigação”, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
“Se estas restrições se mantiverem, é obvio que muito do percurso positivo que Portugal tem feito nos últimos 10, 15 anos vai ser posto em causa, o que é preocupante e não é compatível com as afirmações que se fazem de que as universidades são decisivas para o desenvolvimento do país”, sustentou.»

Esses estudos, desenvolvimentos, burocracias ou o raio-que-falte, bem rápido se faz favor.

http://www.ionline.pt/portugal/investigador-seringa-laser-sem-agulha-portuguesa-deve-chegar-ao-mercado-2013

quarta-feira, 28 de março de 2012

Mitocond-Mitoquê?


Esta é uma história extraordinária sobre uma médica nos EUA, chamada Terry Wahls, que, nas suas próprias palavras, além disso também tem esclerose múltipla. Além disso, também, investigou a sua própria doença, criou um regime de alimentação baseado nos nutrientes específicos que o cérebro com EM precisa, e largou a cadeira de rodas no espaço de um ano. Sem prometer milagres, nem falsas esperanças, cada caso, de facto, é um caso - mas não valerá a pena prestar um bocadinho de atenção? Que sacrifício, comer melhor? Eu estou a pensar seriamente nisto (a par das injecções, claro) - nada a perder.


«Escolhendo um ponto de partida para contar a história da minha doença e recuperação, parecia apenas natural voltar ao tempo em que me senti mais forte e mais viva no meu corpo do que nunca– quando competia como cinturão negro de Tae Kwon Do, quando andava na faculdade. Sempre fui alta e forte, mas este desporto deu-me a graça e agilidade que eu nunca tinha tido. Eu partia placas com socos e pontapés laterais. A minha assinatura era o pontapé tornado. Assim que o árbitro dava início à luta, eu saltava no ar em espiral, girando, e com as minhas pernas longas muitas vezes apanhava o meu adversário desprevenido e levava-o ao tapete. Em 1978, ganhei uma medalha de bronze na Divisão das Mulheres Welterweight. Meio ballet, meio combate, era um desporto brutal, mas eu adorava a onda de adrenalina que me dava. Competi a nível nacional, e em 1978 ganhei uma medalha de bronze na luta livre nos ensaios para os Jogos Pan-americanos em Washington.
No outono seguinte, comecei a faculdade de medicina. Embora continuasse a treinar e ensinar Tae Kwon Do, deixei de competir, porque não me queria arriscar a levar socos ou pontapés na cabeça. Troquei por desportos menos exigentes, como ciclismo e escalada.
A vida estava correr-me tal como pretendia. Abri uma clínica privada em medicina interna em 1987, em 1991 tive um filho, e três anos mais tarde, uma filha. Nessa altura, corria maratonas, escalava montanhas no Nepal e corria na maratona Birkebeiner de 55 km de ski (no norte de Wisconsin) várias vezes, incluindo uma vez durante a gravidez do meu filho. Eu queria ser tão activa aos quarenta anos como quando fosse uma avó de cabelos brancos.
No inverno de 2000, durante uma das nossas caminhadas matinais de sábado, a minha parceira Jackie achou que o meu passo parecia diferente entre o meu pé direito e o esquerdo. Ela disse que eu deveria ir ao médico. Eu não liguei.. Poucos meses depois, ela achou novamente o meu andar, e voltou a dizer que eu deveria ir a um médico. Eu ignorei. “Isto já melhora”, pensei.
A vez seguinte que a Jackie me desafiou para uma caminhada, tinha um plano. Enquanto as crianças brincavam em casa de uma amiga, ela sugeriu caminharmos até à pastelaria para comermos um gelado. Foi um caminho de três milhas, ida e volta, e no regresso, eu já vinha a arrastar o meu pé esquerdo, como um saco de areia. Não sentia os dedos dos pés, estava exausta, enjoada e com medo. E marquei uma consulta com o meu médico.
É normal, na maioria das doenças neurológicas, que os sintomas​​, difíceis de perceber, muitas vezes se vão acumulando lentamente, pouco a pouco, ao longo de décadas, e a doença passa despercebida por muito tempo. O meu caso não foi excepção. Eu não tinha reagido aos pedidos iniciais da Jackie para ver um médico porque as mudanças vieram devagar e eu tinha-me adaptado a elas. No ano anterior ao meu diagnóstico, reparei que a minha força estava em declínio. Fiquei chateada comigo mesma, mas pensava que era do envelhecimento e prometi a mim mesma esforçar-me mais.
No entanto, a realidade é que a esclerose múltipla tinha corroído a mielina do meu cérebro e medula espinhal desde a faculdade. No momento em que fui diagnosticada, a doença já tinha atacado boa parte do meu sistema nervoso central. Os meus surtos intermitentes de dor facial, que me vinham incomodando desde a faculdade, foram ficando cada vez mais intensos. Correr era difícil, e eu já tinha desistido de fazer ski. O meu declínio progrediu rapidamente. Dois anos depois do meu diagnóstico, já não podia jogar futebol com os meus filhos no quintal. No outono de 2003, andar de sala em sala durante as rondas do hospital cansava-me muito e, no verão de 2004, as minhas costas e os músculos do estômago tinham enfraquecido tanto que eu precisava de uma cadeira de rodas reclinada. Em 2007, passei a maior parte do tempo totalmente deitada numa cadeira de gravidade zero. Tinha apenas 52 anos.
A memória de mim mesma como corredora, esquiadora, e campeã de Tae Kwon Do foram desaparecendo ao longo dos anos, à medida que o meu corpo perdia capacidades. Embora eu conseguisse ser forte em relação à perda da minha vida activa, não conseguia em relação à minha capacidade de ser mãe. Quando finalmente fui parar a uma cadeira de rodas, em 2004, o meu filho tinha dez anos, e a minha filha de sete. Como poderia eu ensinar aos meus filhos as habilidades e a resistência que necessitavam para superar as dificuldades da vida, numa cadeira de rodas?
Deitada na minha cadeira de gravidade zero, na mesa da sala de jantar, observando como eles preparavam o jantar, limpavam a mesa e se sentavam a fazer os trabalhos de casa, sentia-me distante deles. Já que eu não poderia acompanhá-los lado a lado, queria contar-lhes tudo sobre a minha vida antes da EM e ensinar-lhes algumas das lições de vida que eu tinha aprendido. Comecei a escrever as minhas histórias, para eles e para mim, pensando que as histórias eram tudo que eu tinha deixado enquanto lições de vida e experiências.
Em três anos, a minha doença progrediu de reincidente-remitente para secundária progressiva. Nessa fase, a doença progride lentamente, apesar da terapêutica cada vez mais agressiva. (...) Fiquei dependente de cadeira de rodas. Parecia que não havia boas opções disponíveis. (...)
Quando fui diagnosticada, comecei a ler literatura médica todas as noites. Fiz o que muitos médicos fazem quando são diagnosticados - comecei a ler artigos médicos para mim. Mas quando li sobre a natureza progressiva da doença, e que 50 por cento das pessoas diagnosticadas têm de parar de trabalhar em dez anos, por causa dos níveis de incapacidade ou fadiga, parei de ler. Mais tarde, na cadeira de rodas, já não me assustavam aqueles artigos. Eu sabia o quão mau podia ser.  (...)
Noite após noite, eu li. (...) Comecei à procura de artigos sobre o impacto de vitaminas e suplementos em células mitocôndrias e cérebro. Esta pesquisa levou-me numa outra viagem para as ciências básicas, onde os efeitos de um ou dois nutrientes estavam a ser testados nos modelos animais de doenças cerebrais diferentes. Voltado para a investigação sobre as principais doenças neurológicas, Parkinson, Huntington, e Lou-Gehrig's, descobri que algumas vitaminas e aminoácidos específicos retardavam a progressão destas doenças nos modelos animais. Fui até a loja de alimentos saudáveis, comprei alguns suplementos, e comecei a minha primeira rodada de auto-experimentação.» 

...



http://www.terrywahls.com/
http://www.thewahlsfoundation.com/

terça-feira, 27 de março de 2012

(Boas notícias, Z.)


Esclerose múltipla: Primeiro medicamento oral aprovado

«O primeiro medicamento oral para a esclerose múltipla, doença para a qual até agora só havia resposta terapêutica injectável, foi aprovado pela autoridade que regula o sector, o que representa “um importante avanço” para os doentes, avança a agência Lusa.
Trata-se de um fármaco cuja substância activa é o Fingolimod e que está indicado para o tratamento em doentes com esclerose múltipla 'surto-remissão' muito activa.
Por se tratar de um medicamento de administração oral, a presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM), Manuela Neves, sublinha a importância desta aprovação pela autoridade que regula o sector do medicamento (Infarmed).

“Substituir uma injecção por um comprimido é um grande avanço”, disse Manuela Neves.
A presidente da SPEM lembra que só os doentes com indicação médica para a toma deste fármaco o poderão fazer, mas acrescenta que este, e principalmente a sua forma de administração (oral), pode facilitar a dia aos portadores desta patologia, que em Portugal afecta cerca de 5.000 pessoas.
Segundo informação do laboratório que comercializa o Fingolimod, mais de 30 mil doentes em 55 países já foram tratados com esta terapêutica.
Em todo o mundo existem cerca de 2,5 milhões de pessoas com esta doença inflamatória crónica do sistema nervoso central.»

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=2387495&seccao=Sa%FAde&page=-1

http://www.rcmpharma.com/actualidade/medicamentos/27-03-12/esclerose-multipla-primeiro-medicamento-oral-aprovado-em-portugal

http://sicnoticias.sapo.pt/Lusa/2012/03/27/esclerose-multipla-primeiro-medicamento-oral-aprovado-em-portugal

http://www.sabado.pt/Ultima-hora/Dinheiro/Esclerose-multipla--Primeiro-medicamento-oral-apro.aspx

http://www.ionline.pt/esclerose-multipla-primeiro-medicamento-oral-aprovado-portugal