Este blog foi impulsionado pela SPEM – Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, e pretende ser um espaço onde se
entornem discussões, novidades, perguntas, respostas, conversas, histórias e viagens – em redor da vida com Esclerose
Múltipla e Outras Coisas Também.









quinta-feira, 13 de setembro de 2012

As meninas têm-se portado bem

Entre parêntesis.
Até agora, a dona, a dita e a outra (por ordem de cuidado, a catarina, a em e a lancheira) têm-se portado bem - e isto que saímos do fresco-nas-orelhas da montanha e descemos até ares mais abafados e caribenhos, onde mesmo quando chove os pés se querem e mantêm descalços e os braços ao léu. Até agora, nada de dormências, mariquices ou especialidades, e o cansaço também não me tem afectado mais do que a qualquer mortal - estou em crer que o estado-de-viagem tem um efeito placebo que adormece os formigueiros (recomendando-se, portanto).
Os barrancos onde nos temos abrigado têm sido solícitos perante o pedido de um espacinho no frigorífico da casa, as placas de gelo têm cumprido sua função e as injecções podem gabar-se de percorrer os mesmos passos que a mochila-companheira sem percalços nem chatices de maior.
Sigamos pois ao ritmo da viagem, que se quer dançada e bem corrida - e com mais tempo e melhor internet lhes contarei por onde têm andado as meninas; apaziguados os medos, que se têm portado bem.

sábado, 8 de setembro de 2012

Bogotá-a-alta


Aterrei em Bogotá no dia 28 e encontrei-a tal como a recordava: gigante, caótica, difícil de entranhar. Bogotá-a-alta é mais difícil do que comer chinchuyos mal fritos (que são intestinos de vaca e se chamam chinchulines na argentina) ou acabar com todos os componentes de um pequeno-almoço tipicamente colombiano (cumulativamente e por ordem cronológica, café, que aqui se chama tinto, leite com chocolate, sumo de guanabana ou lulo ou outra fruta mais ou menos desconhecida, caldo de carne e batata, tamal com milho, que é um naco de coisa embrulhada em folha de árvore de banana, mantecada, fruta em pedaços que pode ser lulo ou manga ou  outra, ovos, batata cozida e pão com manteiga): é preciso um esforço. É uma cidade dura, seca e sem floreados, onde as ruas são geométricas e têm números e não nomes. O Rodolfo, meu fiel companheiro desta e de outras viagens, é destes que sabe sempre onde está o norte, e assim se orienta. Eu? Eu perco-me, apesar da matemática. Deixem-me, então, explicar-vos a cidade à minha maneira. 
Bogotá corre, quase toda ela, ao nível do chão: as casas são baixas e as ruas são simples, e a sensação constante é a de que estamos quase-quase a chegar a algum lugar. Os bairros são de cimento e tijolo, a maior parte deles não pintados, e as ruas são coroadas por emaranhados de cabos e telhados de chapa, que lhe emprestam um falso ar clandestino ou improvisado. 
Bogotá-inquieta é também Bogotá-a-alta, porque repousa num planalto a 2600 (!) metros de altitude e não tem estações do ano, mas apenas fresco, frio ou muito frio, e nasce entre morros, colada à montanha do santuário de Montserrate, do alto da qual (3200m!) se ganha compreensão da cidade que não acaba e corre rasteira.
E depois, ao nível do chão, a rua move-se e se apura e borbulha em movimento e comércio de bairro em todos os bairros. Lojas, oficinas, armazéns, bancas, carrinhos, caravanas e estantes improvisadas compram e vendem tudo o que se possa imaginar por toda a cidade: jarros, alguidares, de plástico, de ferro, parafusos, colchas, caixas de fruta, com e sem fruta, fotocópias, minutos de telemóvel, peças de carro, peças de máquina de lavar, peças generalistas, pneus, portas, cabeceiras de cama, toalhas (lisas, padrão ou fantasia), molduras com vidro, molduras sem vidro, vidro para molduras, pêra-abacate com sal, chapéus, tinto. Correm a cidade bicicletas com fruta, carrinhos com brinquedos, camiões velhinhos com vigas e bobinas, peões com todo-tipo de safa-tostões. Es que acá en Bogotá el comercio es como, pues, muy informal. Qualquer coisa que se precise ou nem se imagine necessária se encontra nas ruas de Bogotá, como num gigante mercado de rua.
Apesar da dimensão, da estranheza já repetida e da minha total desorientação, volto a encontrar também, no segundo em que aterro pés, a minha querida Colombia-casa, que volta a acolher-me de braços abertos, mesa posta e tectos vários. O meu querido Juan-prestes-a-casar, e toda a sua família alargada e da sua noiva, e dos irmãos e dos avós e dos amigos e dos outros, recebem-nos nas suas casas e nas suas famílias como se delas fossemos, e voltam a lembrar-me todos os dias Bogotá-vida, Bogotá-diária e Bogotá-íntima, com seus humedales escondidos (pântanos de estranha tranquilidade que salpicam a cidade), seus refeitórios que servem, com o menu do dia, a sopita del dia e pratos obscenos de fruta como entrada, seu sentido de família e de humor, seu rebuliço, seus gritos alegres, a musica, a ginga, a hospitalidade e a gentileza sem limites desta gente colombiana. Temos tido sempre alguém que nos dá boleias, conversa, histórias, lendas, almoço, dormida e café, e temo-nos deixado levar, deliciados e sem pensar. 
A simpatia pelos cantos e pelos emaranhados de fios, pelos tectos baixos e pelas ruas-vielas de Bogotá renasce com o jeitinho colombiano: que a cidade esteja cheia de colombianos ajuda a que uno se encante.  

Bogotá-a-alta 





sexta-feira, 31 de agosto de 2012

As outras coisas: prefácio de uma viagem

Perdoem-me a ausência.
As férias têm disto, e estas foram especialmente gozadas: a família juntou-se durante quase trinta dias no calor alentejano, e foram dias de sol, de relva, de amigos a chegar e a partir, de jogos de cartas e de leituras - tudo regado, claro está, a bom vinho e melhores petiscos, sem internet, saldos no telefone ou cobertura. Maravilhoso!
Descansados três anos de trabalho mal-amado e voltando a Lisboa, foram mãos à obra: recolha de injecções, de declarações médicas, de caixas azuis, selecção aprimoradíssima de lancheiras e geleiras de mil formas, simpatias e acondicionamentos, fazimentos de malas e empacotadas de uma casa demasiado cheia.
Senhores e senhoras: depois de muito querer, parti! Escrevo-vos, enfim, desde Bogotá, recém-aterrada, ressacadíssima de um voo demasiado longo, de um fim-de-semana de aconchegante despedida e de um banho de água fria que me levou às lágrimas (iauch!).
As outras coisas serão, enfim, retomadas, no papel e na vida. Ontem piquei-me na casa-de-banho do avião, a 12 mil metros de altura do chão. Vamos a isso!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Acho que oiço cânticos ao fundo do corredor (ah!, não. sou eu)

Seringa a laser sem agulha é portuguesa e deve chegar ao mercado em 2013

«Uma seringa a laser, sem agulha, está a ser desenvolvida em Coimbra e deverá chegar ao mercado dentro de um ano, anunciou hoje Carlos Serpa, um dos investigadores envolvidos.
O Laserleap (seringa a laser) é um sistema em nada semelhante às tradicionais seringas com agulha, mas que, tal como estas, permite fazer chegar o medicamento ao destino pretendido, só que sem picada e recorrendo a laser.
O protótipo da “seringa” foi hoje apresentado na Universidade de Coimbra (UC), onde o projeto nasceu, em 2008, por um grupo de três investigadores do Departamento de Química, que inclui também Luís Arnaut e Gonçalo Sá.
Através do laser, é criada uma onda de pressão que, ao chegar à pele, gera uma “espécie de tremor de terra”, deixando-a "durante alguns segundos permeável”, o que facilita a aplicação do fármaco, administrado em creme ou gel, explicou Carlos Serpa.
O fármaco “surte efeito mais rapidamente, nomeadamente no caso dos analgésicos tópicos”, acrescentou.
Aplicações no tratamento do cancro da pele e de determinadas doenças dermatológicas, administração de vacinas ou aplicações em cosmética são algumas das utilizações da tecnologia Laserleap.
Testado em três dezenas de estudantes do Departamento de Química, o sistema “não provoca dor nem vermelhidão, de uma maneira geral - “apenas cinco por cento dos casos, mas passa rapidamente” – e é considerado “seguro para os humanos”.
Vencedor da primeira edição do prémio RedEmprendia (2010), no valor de 200 mil euros, o Laserleap, levou já à criação de uma empresa - LaserLeap Tecnologies, em setembro de 2011, e atualmente incubada no Instituto Pedro Nunes – e a um pedido de patente internacional, em abril de 2011.
Ainda recentemente, o projeto venceu o desafio internacional lançado no Photonics West 2012, um dos maiores encontros científicos do mundo na área da fotónica.
A RedEmprendia é uma associação criada com apoio do Grupo Santander e orientada para o empreendedorismo, que congrega 20 universidades ibero-americanas - em Portugal, as Universidades de Coimbra e do Porto.
Durante a apresentação do protótipo, o presidente da RedEmpreendia, Senen Barro, classificou o projeto português de “excecional”, referindo que, na “corrida” ao prémio, estiveram outros também “bastante bons”.
“A qualidade de vida de muitas pessoas pode mudar radicalmente” com a nova seringa, considerou.
O diretor da divisão do Santander Universidades para Portugal, Marcos Ribeiro, afirmou, por sua vez, que “o país precisa agora, mais do que nunca, que as universidades prossigam o motor de desenvolvimento” que representam para o “crescimento sustentável das sociedades”.
Depois de salientar a importância da RedEmpreende no desenvolvimento dos projetos de investigação, o reitor da UC, João Gabriel Silva, manifestou-se preocupado com a “diminuição global dos montantes disponíveis para os projetos de investigação”, através da Fundação para a Ciência e Tecnologia.
“Se estas restrições se mantiverem, é obvio que muito do percurso positivo que Portugal tem feito nos últimos 10, 15 anos vai ser posto em causa, o que é preocupante e não é compatível com as afirmações que se fazem de que as universidades são decisivas para o desenvolvimento do país”, sustentou.»

Esses estudos, desenvolvimentos, burocracias ou o raio-que-falte, bem rápido se faz favor.

http://www.ionline.pt/portugal/investigador-seringa-laser-sem-agulha-portuguesa-deve-chegar-ao-mercado-2013

Haja humor no massacre!

Quando chegamos à injecção n.º 450, chegamos também a duas conclusões:

1) Estamos prontos para a guerra, o parto ou uma catástrofe natural;

2) Se chover, vamo-nos parecer a uma máquina de rega.




(pois é, eu conto-as.... mas só para ter pretexto para fazer uma festa no n.º 100 - confere; ainda tenho as velas na gaveta - e uma festa cigana no n.º 1000.)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Au!

Comecei o dia a bater com a cabeça no parapeito da janela do estendal.
Como é que eu fiz isso?
Também não percebi muito bem.
Mas dou graças à franja, que tenho um novo melhor amigo a crescer na testa.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Hoje, 'volto já'

Não sei se é da histeria da bola de ontem, do curtinho pezinho de dança, do solarengo dia ou das coisas da vida, mas eu hoje estou feita um saco de areia furado - e já choquei com meio corpo na porta da tabacaria e me raspei e me saiu um cansado “ai”..
Estiquemos as pernas, pois, e tentemos passar pelo dia de trabalho subtilmente e à superfície, a ver se ninguém dá por mim e não cai mais trabalho em cima desta molenga moleza. Ssshhhh..... “Volto já”.